segunda-feira, 29 de novembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Tortura

Tirar do peito a Emoção
A lúcida Verdade, o Sentimento
- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso d’alto pensamento,
E puro como um ritmo d’oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto

Florbela Espanca


terça-feira, 8 de junho de 2010


Esses dias

me peguei pensando
em pássaros
Achei até engraçado
pensar em outra coisa
que não seja você



Rafaella Moura

quinta-feira, 20 de maio de 2010

cinza-frio-azul-ensolarado

Não sabia o porquê. O dia apenas amanhecera estranho, diferente; um catálogo de cinzas e azuis-acinzentados. Quando coloca-se na cabeça que algo fugiu ao normal, fica-se cheios de dedos, medos, desconfianças. Aí até o 'bom dia' costumeiro vira uma enorme provocação.
Subiu as escadas e procurou um lugar isolado, um pouco drama, outro tanto auto-piedade.Quase gostava daquele sentimento de estranheza. Se perguntando 'por que tudo acontece comigo', esquentava suas mãos de dedos finos no copo de café fumegante.
O tempo foi passando, minuto à minuto e quando lágrimas quase lhe atingiam as maçãs do rosto, surpresa...
Aparece o sol, vagaroso, como quem fica mais cinco minutos na cama. Ainda era cedo, o sol tomara seu lugar ao céu e encobria o catálogo sombrio de cinzas-azulados. Encobriu até mesmo aquele sentimento todo de fascinação pela dó de si mesma.
Entristeceu-se. A manhã ainda era fria, o café havia esfriado e sua amiga auto-piedade se fora com o vento matutino. Ficou sozinha, sem ninguém para lhe atribuir pena, sem nenhuma estranheza fria-cinza.
Apenas sol, normalidade cor de sol...



Rafaella Moura

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Epitáfio - Titãs

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...

sábado, 30 de janeiro de 2010

Às vezes eu me sinto numa forte correnteza, bem no meio do mar!
E isso vai me arrastando contra minha vontade e quanto mais eu tento deixar as coisas no lugar, mais isso foge de mim.
Foi exatamente isso que eu senti por quase o ano inteiro, esse aí, que passou... Que as coisas não estavam no meu controle.
Fiz escolhas, fizeram escolhas por mim, lutei, me afoguei, respirei e me afundei de novo. Fico pensando o quanto a culpa é minha de estar no meio do mar, porque afinal, se eu não entrasse nele, a correnteza não teria efeito sobre mim.
Na verdade, eu sempre tive certa aptidão pra me enfiar em correntezas mais fortes do que eu. Me envolvo tanto nelas, que não me dou conta que elas me levam pra onde querem. Quando eu finalmente consigo sair, eu vejo que devia ter nadado mais forte, não que eu consiga mudar o rumo de um mar inteiro, mas não posso deixar que ele imponha mudanças em mim.
Aí quando as coisas vão se acalmando e vão virando apenas ondas, eu consigo ir, com cuidado, saindo delas. Eu deixo o mar para trás, embora algumas vezes eu sinta como se o mar me lançasse para fora dele. Toda correnteza tem um rumo, que para uns serve e para outros, nem tanto. A terra firma, porém, serve para todos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Já foi mais fácil...

TUDO. Em qualquer fato que se pense, poderia ter sido mais fácil!
Sabe, certa vez ouvi dizer que a nossa melhor amiga é a gaveta.
Tente colocar um texto na gaveta e olhá-lo depois de um tempo.. Verá que poderia ser melhor.
Agora imagine colocar situações impossíveis, problemas surreais, relacionamentos complicados e olhe uma ou duas semanas depois. Não era tão impossível, surreal ou complicado como parecia.
Apenas nos desesperamos para resolver o que estamos enxergando mas nunca pensamos que podemos estar enxergando pouco. Nossa visão é limitada na hora dos sentimentos 'a-flor-da-pele'.
Aí o melhor mesmo é deixar na gaveta. Não pra sempre, porque ignorar problemas não os fazem desaparecer, certo?! Do contrário, ninguém os teria.
Essa de 'não deixe pra amanhã' nem está tão certa assim. Imagine quantas brigas se pode evitar quando a raiva (ou qualquer que seja o sentimento do momento) fica guardada na gaveta. Um ou dois dias depois, vemos o quão idiotas poderíamos ter sido se tivéssemos levado em conta o que sentíamos naquela hora.
Certa vez ouvi dizer também, que as pessoas não sabem ser felizes.
Deixam suas gavetas vazias e carregam todo o fardo da vida como se fosse uma bagagem de mão.
Seus problemas não são tão sérios quando você sabe o que fazer com eles.
Levar tudo ao pé da letra, maximizar pequenas particularidades, a famosa "tempestade em copo d'água"... Isso é pra quem não sabe parar pra pensar, não sabe resolver, não sabe evitar brigas, frustrações, infelicidades...
Quer só ganhar, sair por cima, ter a vida perfeita mas sabe.. Isso não existe.
Poderia ser mais fácil, sim. Mas também poderia ser pior.
Então recorremos à gaveta. Ela acalma os sentimentos, ameniza os problemas. Como se tirasse a poeira que nos impede de ver com clareza a situação. E quando se dá conta; nem era tão grave assim.
Quando já se viu o pior acontecer, para completar, só se pode esperar que melhore.


Rafaella Moura

sábado, 9 de janeiro de 2010



lágrimas
quentes
num quarto vazio
a escuridão
lhe faz companhia...







quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Às vezes

as pessoas pensam tão pouco de nós, que nos fazem perguntar se são nossas atitudes que levam à isso.
Pensam pouco e resumem seus pensamentos ao que acham que conhecem de nós e aí é que está:
ninguém é 100% real na frente dos outros. Não porque queremos, mas porque somos assim.
Pra cada pessoa, demonstramos o que queremos que ela veja, ou melhor, as deixamos ver apenas o que queremos. E não é falsidade, é só como as coisas são; é nosso incrível poder de adaptação.
Afinal, não falamos de asfalto para quem gosta de flores.
Então o que pensam de nós pode ser fruto do que somos parcialmente,
ou do que fomos...
E pode ser que a chave de tudo isso é fazer com que as pessoas possam pensar mais de nós; mostrar outros lados, outros sentimentos, outras conversas...
Muitas vezes nos resumimos ao que pensamos interessar para cada pessoa e acabamos fazendo o mesmo: pensamos pouco dela!
Somos mais, beeeeem mais que aparências, que breves resumos, que interesses momentâneos, que sorrisos forçados, que conversas vazias, mais que simpatia barata...
Somos álbuns de fotografia, somos um livro da vida intera, somos conversas sinceras, somos o que gostamos faz teeeempo, somos o que somos até quando choramos...
Vai ver somos todos assim... Ou talvez
é só o que eu penso de mim...


Rafaella Moura.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

"What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end"

Hurt - Johnny Cash