Quem talvez n'outras vidas, se pôs a fazer rir
quem sabe nessas horas, é também o mais feliz
se trocou dor e angústia, pelas flores das primaveras
deixou as lágrimas no inverno, congeladas ah, quem dera!
Os suspiros das estações, que mudam vagos, vão e vão
passam aqui e passam lá, e vão, sem destino e sem chão
apenas tempo é o limite, desses ventos tortuosos
que passam o tempo a soprar, dessa vida pros mais fracos
Tanto sonhas em memórias, tanto quer em devaneios
pois quem esquece do presente, muito esquece do momento
retorna aos ventos passados, voam e vão com os pensamentos
Voa livre com o vento, feito pássaro ao céu limpo
voa e vai voando, tudo passa e muito fica, quando vê...
já foi o tempo...Tempo, quem viu? passou voando...
Rafaella Moura
segunda-feira, 27 de abril de 2009
domingo, 19 de abril de 2009
Caixa de Pandora

Foi morar sozinha e recortar revistas, ouvir música alta, dançar pela casa, cantar!
Enterrar num passado distante tudo o que ficou quando não se quer mais lembrar. Jogar fora lembranças ruins, ainda vá lá, mas resolveu praticamente trocar de identidade. Começando pelo cabelo, a cor dos olhos, o esmalte, os sapatos, o próprio nome. Nada fácil mas ela o fez. De quando em quando perguntava-se se era certo e uma rápida olhada no espelho lhe respondia 'melhor agora'. Certa vez pegou aquela caixa que insistia em olhá-la do fundo do armário e achando que havia livrado-se de tudo, como quem abre a caixa de pandora, viu sair de lá todo seu passado feito filme discorrendo lentamente pela parede branca. Atordoada sentou-se no chão frio e não se importando muito com isso, assistiu alí, sentada, recostada na parede o filme de sua vida! boas e más coisas iam recortando os feixes de luz que por algum motivo, escurecia seus pensamentos e diante de seus olhos traziam à tona uma vida inteira. Sua vida inteira. O filme picado que jorrava da caixa a fez reviver nostalgicamente seu trajeto ríspido e tortuoso que a levou até o momento confuso em que encontrava-se, porém pouco a pouco foi notando que cada pedra em sua frente levou-a à construir o caminho que decidiu seguir. Julgava ser o melhor caminho, julgava ter sido a melhor escolha, julgava ter feito o melhor que pôde mas deu-se conta que julgou demais. Todos que passaram por sua vida ficaram para trás do muro que ia construindo-se instantaneamente conforme o tempo ia passando e os passos seguiam adiante. Tornou-se sozinha num caminho disforme, imperfeito e tão frágil quanto uma folha ao vento. Notou que o filme não passaria, não completamente, não seguindo uma sequência lógica se faltasse ao menos um pedaço, por menor que fosse, pois este faria falta; "assim como minha vida" - suspirou. Percebeu que estava tornando tudo mais difícil, tornando tudo em uma mentira, grande e mal construída. Havia se posto num lugar onde tudo em sua volta era falso, uma teia de histórias e fantasias da qual nunca conseguira sair. Pois bem, estava livre! Seus fantasmas do passado haviam libertado-se de uma forma inesperada e logo viu, não foi de todo ruim. Aliás, não foi nada ruim ou doloroso relembrar tudo o que já viveu. Levantou-se lentamente após o final da sessão de seu próprio filme, tomou nas mãos a velha caixa e a guardou. Limpou as lágrimas. Deixou o quarto. Ela tinha algumas cartas a abrir. Ela tinha alguns telefonemas a dar.
Rafaella Moura
quinta-feira, 9 de abril de 2009
domingo, 5 de abril de 2009
Da morte triste choras
o pranto segue as horas
no escuro fecha os olhos
no vazio a alma vaga
Lembranças e histórias
e as risadas sonoras
invadem a memória
e de súbito se acabam
Ainda vale o que restou
pra ser lembrado com amor
o pouco que ainda ficou
Secam as lágrimas e o riso
antes frio, agora limpo
trazem de volta o que passou
Rafaella Moura
o pranto segue as horas
no escuro fecha os olhos
no vazio a alma vaga
Lembranças e histórias
e as risadas sonoras
invadem a memória
e de súbito se acabam
Ainda vale o que restou
pra ser lembrado com amor
o pouco que ainda ficou
Secam as lágrimas e o riso
antes frio, agora limpo
trazem de volta o que passou
Rafaella Moura
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